segunda-feira, 14 de novembro de 2016

ROTEIRO DE ESTUDOS - GRÉCIA ANTIGA

Roteiro de Estudos  – Grécia Antiga


Ao estudar a história da Grécia Antiga, devemos enfatizar aspectos importantes, antes mesmo de aprofundar no tema.
Os aspectos são:

·         Periodização
·         Levas migratórias (ocupação e formação civilizatória)
·         Características geográficas (relevo, clima, vegetação, etc.)
·         Unidade cultural e fragmentação política e territorial

1- Periodização

A História da Grécia Antiga é uma história extensa, começaremos em 2000 a.C. e terminamos com a divisão do Império Macedônico em 323 a.C. com a morte de Alexandre Magno e posteriormente os reinos helenísticos foram derrotados pelos romanos nos séculos II e I a.C.

Portanto, há a necessidade de dividir essa história de quase 2 milênios em períodos. Quantos períodos são utilizados para dividir a história da Grécia?
São 5 períodos:

  • Período Pré-Homérico ou Micênico (de XX a.C. a XII a.C.)
  • Período Homérico ou Pós-Micênico (de XII a.C. a VIII a. C.)
  • Período Arcaico (de VIII a.C. a VI a.C.)
  • Período Clássico (de VI a.C. a IV a.C.)
  • Período Helenístico (de IV a.C. a II a.C.)
2- Levas migratórias

A história da Grécia Antiga é marcada por migrações, levas migratórias de um mesmo ancestral em comum, que saíram do Leste Europeu/Oeste Asiático em busca de terras férteis e melhores condições de vida.

Essas levas, chamam a si mesmas de helenos e chegaram gradualmente na Grécia, entre o século XVIII e XII. Respectivamente, foram os aqueus, jônios, eólios e dórios.

Exceção: os cretenses, que chegaram no século XX a.C., eram originários da Síria e Anatólia, diferentes dos helenos que são povos arianos. A civilização cretense, que dominou o Mar Egeu e submeteu as demais regiões da Grécia ao seu controle, é considerada o embrião da civilização grega, devido à forte influência e mescla (mistura) cultural que proporcionou aos helenos (sobretudo os aqueus).

Ainda falando de migrações, não podemos esquecer dos movimentos dos gregos já instalados na Península Balcânica, ou seja, as migrações forçadas ou Diásporas.
Os gregos, assim como todos as outras civilizações, sempre estavam buscando melhores condições de vida, portanto não encaixamos a expansão cretense para as ilhas do Mar Egeu (devido ao crescimento populacional e a falta de terras férteis em Creta) como uma diáspora.

Mas não se esqueçam dos motivos e consequências que ocasionaram a Primeira Diáspora Grega (chegada dos dórios) e a Segunda Diáspora Grega (desintegração/crise dos genos).

3- Características geográficas (relevo, clima, vegetação, etc.)

A Grécia se localiza na Península Balcânica, banhada pelo Mar Mediterrâneo (fazem parte os mares Egeu, Adriático, Jônio, Mar de Mármara e Mar Negro) e dividida em 4 partes:

·         Grécia Continental
·         Grécia Insular (Creta e demais ilhas do Mar Egeu)
·         Grécia Peninsular (Península do Peloponeso)
·         Ásia Menor (ao leste do Mar Egeu)

O território é formado por maciços montanhosos (inclusive há um mapa anexado com as cadeias de montanhas da região) que dificultavam a comunicação entre as cidades e a prática da agricultura. Por outro lado, o litoral recortado oferecia excelentes condições para a prática da pesca, navegação e comércio marítimo.

4- Unidade cultural e fragmentação política

A Grécia era formada por povos que ao longo de quase mil anos, chegaram e ocuparam a Península Balcânica. As dificuldades do território (formado por maciços montanhosos que dificultavam a comunicação entre as cidades e a prática da agricultura) colaboraram para a organização em cidades-Estados (polis), onde cada cidade manteve sua própria administração e autonomia, independente das demais cidades.

O conceito territorial dos gregos antigos também é necessário enfatizar: eles chamavam a Grécia de Hélade, chamavam a si de helenos e onde houvessem cidades gregas, haveria a Grécia.

Exemplo: quando os gregos fundaram cidades na Península Itálica (cidades como Nápoles, Siracusa e Tarento), chamaram aquela região de Magna Grécia por considerarem que aquele território também fazia parte da Grécia.

Portanto, a Grécia não era uma unidade política (nunca houve um rei ou imperador grego que controlasse e governasse todas as outras cidades), era somente uma unidade cultural, onde todos falavam a mesma língua e partilhavam a mesma cultura (mesma religião, hábitos, tradições e costumes).

PROBLEMATIZAÇÃO

Hora de problematizar a história da Grécia Antiga, analisando aspectos políticos, econômicos, sociais e culturais identificando processos de permanências e rupturas.

1- Civilização Cretense

·         Quais eram suas características geográficas?
·         Quais eram as principais atividades econômicas desenvolvidas em Creta e sua relação com as características geográficas?
·         Como os cretenses resolveram os problemas do crescimento populacional e a falta de terras férteis?
·         O que foi e como funcionava a talassocracia cretense?
·         Qual lenda se relaciona à talassocracia cretense?
·         Quais realizações marcam o período de ascensão (auge) da civilização cretense?
·         Quais são as principais características sociais, culturais e religiosas da civilização cretense? Relacione o papel da mulher na sociedade com as características religiosas.
·         Quais esportes foram desenvolvidos em Creta e praticados pelas mulheres?
·         Quais acontecimentos marcam o declínio (queda) da sociedade cretense? Como podemos relacionar a queda de Creta com as levas migratórias que chegaram na Península Balcânica?
·         Quais eram os sistemas de escrita utilizados pelos cretenses?

2- Levas migratórias

·         Como são conhecidos o período Pré-Homérico e o período Homérico?
·         Quem eram os aedos?
·         Quais levas migratórias (povos) chegaram respectivamente (na ordem) na Grécia Antiga?
·         Quais desses povos se influenciaram pela cultura cretense dando origem à civilização creto-micênica?
·         Quais povos chegaram e se instalaram pacificamente na Península Balcânica?
·         Quais desses povos que, conhecedores de armas de ferro, provocaram guerras, expulsando os demais e provocando a Primeira Diáspora Grega?
·         Quais foram as consequências da Primeira Diáspora Grega? A vida urbana, o comércio e a produção literária grega foram afetados?
·         O que era a Magna Grécia?
·         O que era os genos? Como funcionavam as comunidades gentílicas?
·         Por que consideramos os genos como comunidades coletivas?
·         Quem detinha o poder no genos? Esse poder era vitalício e hereditário?
·         Por que o genos entrou em crise?
·         Quais foram as consequências da crise dos genos? Relacione a crise dos genos com a Segunda Diáspora Grega.
·         Quais classes sociais surgiram da crise dos genos?

3- O surgimento das polis no Período Arcaico

·         Como foi a organização das sociais após a crise dos genos?
·         O que eram as frátrias, tribos e demos?
·         Quais são os aspectos referentes à autonomia das polis?
·         O que é a acrópole? O que havia nela?
·         O que é o asty? O que é uma ágora e quais eventos aconteciam nela?
·         Pensando na autonomia das cidades, por que utilizamos as cidades-Estados de Atenas e Esparta para mostrar organizações distintas (diferentes)?

a) Atenas

·         Quais eram as características geográficas de Atenas? Relacione suas características geográficas com as principais atividades econômicas desenvolvidas em Atenas.
·         Como se organizava a pirâmide social ateniense? Quem eram os eupátridas, georgóis, demiurgos, thetas, thecnays e metecos?
·         Por que costumamos dizer que a sociedade grega era uma sociedade escravista? Da mesma forma, dizemos que a base da produção grega era escravista.
·         Quem era considerado cidadão em Atenas? Quem eram os excluídos?
·         Quais foram as medidas adotadas por Drácon?
·         Quais foram as medidas adotadas por Sólon? Como ele beneficiou os pequenos proprietários e demais pobres?
·         Quais foram as medidas adotadas por Clístenes?
·         Quais foram as medidas adotadas por Péricles?
·         Sobre as instituições políticas (órgãos administrativos) de Atenas, explique:
·         Quais eram as funções da Eclésia?
·         Quais eram as funções da Bulé?
·         Quais eram as funções da Heliéia?
·         Quais eram as funções do Arcontado?
·         Quais eram as funções dos Estrategos?
·         O que era o ostracismo?
·         Quais eram as características da Educação Ateniense?
·         Qual era o papel da mulher ateniense na sociedade?

b) Esparta

·         Esparta representou os valores de austeridade, espírito cívico, submissão total do indivíduo ao Estado. Sociedade conservadora, patriarcal, aristocrática, guerreira e eugênica. O que isso quer dizer?
·         Quais eram as características geográficas de Esparta? Relacione suas características geográficas com as principais atividades econômicas desenvolvidas em Esparta.
·         Como se organizava a pirâmide social espartana? Quem eram os esparciatas (espartanos), periecos e hilotas?
·         Os hilotas pertenciam aos esparciatas ou pertenciam ao Estado espartano? Isso se configura escravidão ou servidão?
·         O que era a kriptia ou kriptéia?
·         Quando o esparciata completava 30 anos de idade, o que ele recebia do governo?
·         Quem eram considerados cidadãos em Esparta?
·         A partir de quantos anos o esparciata poderia participar da Ápela e da Gerúsia?
·         Sobre as instituições políticas (órgãos administrativos) de Esparta, explique:
·         Quais eram as funções da Ápela?
·         Quais eram as funções da Gerúsia?
·         Quais eram as funções dos 2 reis de Esparta (diarquia)?
·         Quais eram as funções do Conselho de Éforos (Eforato)?
·         Por que afirmamos que quem detinha o poder em Esparta eram os 5 éforos e não os reis?
·         Quais eram as características da Educação Espartana?
·         Por que dizemos que a mulher espartana era mais valorizada que a ateniense?

4- Período Clássico: o auge e a queda da civilização grega

·         Embora esse período seja marcado pelo esplendor das grandes realizações culturais, artísticas e intelectuais; a Grécia se envolve em uma guerra contra os persas e após vencê-los, se envolve em uma guerra civil (gregos contra gregos).
·         Quais foram as causas das Guerras Médicas?
·         Como os gregos se organizaram para defender o território? O que era a Confederação (Liga) de Delos? Quais eram as contribuições que as cidades-Estados tinham que enviar para Atenas?
·         Quais foram as principais batalhas das Guerras Médicas?
·         Após a paz de Címon ou Calias, por que os gregos iniciaram a Guerra do Peloponeso?
·         A Guerra do Peloponeso, após 28 anos de lutas, com vitórias de Esparta e depois de Tebas, chegou ao fim. Como a Grécia ficou após esses 28 anos? Como estava a estrutura das cidades, a produção agrícola e o comércio?

5- Período Helenístico: o domínio macedônico e a expansão da cultura grega

·         Após a invasão macedônica liderada por Filipe II, seu filho Alexandre Magno (Alexandre III) o sucedeu e iniciou uma rápida expansão territorial em direção à Asia e norte da África (Egito). Quais foram as grandes realizações de Alexandre nesses lugares?
·         O que é o helenismo?
·         Após a morte de Alexandre, o que aconteceu com seu gigantesco império? Quem foram os diádocos e quais reinos surgiram após a fragmentação territorial do império?

6- Cultura Grega
·         Quais foram as realizações culturais dos gregos?
·         Quais foram os legados culturais  deixados pelos gregos?
·         Quais foram as contribuições de Sócrates, Platão e Aristóteles?
·         Quais foram os estilos arquitetônicos desenvolvidos na Grécia Antiga?



Dennys Stefanini

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

O SALDO DA UNIÃO IBÉRICA E A GUERRA DOS MASCATES - 7ªs SÉRIES A,B e C - ZENAIDE LOPES

O saldo da União Ibérica e a Guerra dos Mascates

Declínio Econômico – O saldo da União Ibérica

Durante o período em que esteve submetido à dominação espanhola, Portugal – que dependia em grande medida do comércio colonial – acabou perdendo parte de suas colônias para holandeses, franceses e ingleses. Isso, somado a todas as guerras que teve que enfrentar contra espanhóis e holandeses e à queda dos preços do açúcar no mercado internacional, conduziu o país a uma grave crise econômica.






Procurando solucionar essa crise, o governo português recorreu à Inglaterra e assinou diversos tratados, a fim de dinamizar de imediato a economia do país, principalmente por meio de empréstimos. Além disso, adotou uma política rigorosa em relação ao Brasil, uma das poucas colônias que ainda lhe restavam.

Tratados econômicos entre Portugal e Espanha

Pelos tratados assinados com o governo da Inglaterra, os soberanos de Portugal receberiam proteção político-militar, e os comerciantes portugueses poderiam comprar produtos manufaturados daquele país em troca de vantagens comerciais concedidas aos ingleses.
Entre esses tratados, destaca-se o de Metheun, de 1703 (também conhecido como Tratado dos Panos e Vinhos), pelo qual o rei de Portugal se comprometia a admitir em seu reino os tecidos de lã fabricados na Inglaterra, que, em troca, compraria os vinhos portugueses.
Na época, a assinatura desse tratado satisfez aos interesses de grupos econômicos de ambos os lados, mas suas consequências foram desastrosas para Portugal: contribuiu para a estagnação da produção manufatureira portuguesa e levou à canalização de parte do ouro do Brasil para a Inglaterra.

Concorrência do açúcar antilhano

Mergulhado na crise econômica, o governo português procurou explorar ao máximo as riquezas do Brasil, com destaque para o açúcar. Mas um fato novo veio atrapalhar os planos portugueses.
Expulsos do Brasil, os holandeses levaram mudas de cana-de-açúcar para as Antilhas e passaram a produzir, eles próprios, o açúcar, acabando com o monopólio brasileiro de sua produção.
Essa concorrência antilhana provocou queda de 50% nos preços do açúcar brasileiro, nos mercados internacionais, entre 1650 e 1700. A empresa açucareira nordestina entrou, então, em declínio, passando por um período de readaptação, em busca de aprimoramentos técnicos tanto no sistema de produção como de mão de obra. Apesar dos esforços, foi somente no final do século XVIII que o açúcar brasileiro recuperou parte da importância que tivera antes no comércio mundial do produto.

Guerra dos Mascates (1710)

Devido à queda do preço do açúcar no mercado europeu, causada pela concorrência do açúcar antilhano, os ricos senhores de engenho de Olinda, principal cidade de Pernambuco na época, viram-se em dificuldades financeiras. Começaram então, a pedir empréstimos aos comerciantes do povoado do Recife, que cobravam juros bastante elevados.
Isso fez com que os senhores de engenho (em geral, luso-brasileiros) ficassem cada vez mais endividados, enquanto os comerciantes de Recife (em geral, portugueses) enriqueciam. Por isso, surgiram hostilidades entre eles.
Os comerciantes portugueses, inclusive os mais importantes atacadistas, eram conhecidos como mascates, expressão de cunho pejorativo, aplicada pela aristocracia olindense.
Convencido de sua relevância social, esse grupo pediu ao rei de Portugal, D. João V, que seu povoado fosse elevado à categoria de vila. Queriam, dessa forma, ver Recife independente de Olinda e, assim, não ter de pagar impostos ou submeter-se às suas ordens. D. João V atendeu ao pedido dos comerciantes.
Não aceitando a decisão do rei, os senhores de engenho organizaram uma rebelião. Liderados pelo proprietário de engenho Bernardo Vieira de Melo, invadiram Recife. Sem condições de resistir, os comerciantes mais ricos fugiram para não ser capturados. Esse confronto ficou conhecido como Guerra dos Mascates.
Em 1711, o governo português interveio na região, reprimindo duramente os revoltosos. Bernardo Vieira de Melo e outros líderes foram presos e condenados ao exílio. Os mascates reassumiram suas posições.

EXERCÍCIOS

1-     Quais foram as causas da crise econômica portuguesa ao final da União Ibérica? 
2-     Cite as soluções encontradas por Portugal para sair da crise.
3-     Que consequências essa crise trouxe para o Brasil?
4-     Por que o Tratado de Methuen (1703), assinado por Portugal e Inglaterra, acabou prejudicando a economia portuguesa? 
5-     Que relação se pode estabelecer entre a concorrência do açúcar antilhano e a Guerra dos Mascates?

Texto extraído do livro História Global – Brasil e Geral volume 2. Páginas 59-60.
COTRIM, Gilberto
História Global: Brasil e Geral : volume 2 / Gilberto Cotrim – 1. Ed.
São Paulo : Saraiva, 2010
Manuscrito na folha de almaço. Data de entrega: 24/09

TRABALHO - PESTE NEGRA - 7ºs ANOS A, B e C - ZENAIDE LOPES

Os alunos que não fizeram a redação sobre a Peste Negra, realizarão esse trabalho.
Assista o Documentário sobre a Peste Negra:



Atividade



Em Avignon, na França, vivia Guy de Chauliac, o mais famoso cirurgião dessa época, médico do Papa Clemente VI. Chauliac sobreviveu à peste e deixou o seguinte relato:

"A grande mortandade teve início em Avignon em janeiro de 1348. A epidemia se apresentou de duas maneiras. Nos primeiros dois meses manifestava-se com febre e expectoração sanguinolenta e os doentes morriam em 3 dias; decorrido esse tempo manifestou-se com febre contínua e inchação nas axilas e nas virilhas e os doentes morriam em 5 dias. Era tão contagiosa que se propagava rapidamente de uma pessoa a outra; o pai não ia ver seu filho nem o filho a seu pai; a caridade desaparecera por completo". E continua: "Não se sabia qual a causa desta grande mortandade. Em alguns lugares pensava-se que os judeus haviam envenenado o mundo e por isso os mataram".

Outro relato sobre a Peste Negra:

"Em breve os homens se odiavam tanto que se um filho fosse atacado pela doença seu pai não cuidaria dele. Se, apesar de tudo, ele ousasse se aproximar também se contaminaria e estaria marcado para morrer em três dias. E isso não era tudo, todos aqueles habitando a mesma casa que ele o seguiriam à morte. Conforme o número de mortes crescia em Messina muitos desejavam confessar seus pecados aos padres e expressar seus últimos desejos colocando-os em seus testamentos. Mas eclesiásticos, advogados se recusavam a entrar nas casas dos doentes. Mas se algum deles colocasse um pé dentro da casa do doente ele era imediatamente abandonado para a morte súbita. Freiras, Dominicanos e membros de outras ordens que ouviam as confissões dos moribundos eram logo subjugados pela morte tão rapidamente que alguns nem chegavam a abandonar o quarto do doente. Logo os corpos estavam largados pelas casas. Nenhum eclesiástico, nenhum filho, nenhum pai e nenhum parente ousava entrar, mas pagavam serventes altas taxas para enterrar os mortos. Mas as casas dos mortos permaneciam abertas, com todos os seus pertences, joias e ouro e todo aquele que decidisse entrar para reclamá-las o fazia sem encontrar obstáculos, pois a praga atacava com tanta veemência que em pouco tempo havia uma falta de serventes e finalmente não havia nenhum”.

Elabore um texto analisando o contexto histórico, as condições de saneamento básico e os aspectos sociais e culturais da Europa do século XIV. Seu texto deve conter informações sobre os flagelantes. Mínimo de 15 linhas. Manuscrito na folha de almaço. Data de entrega: 25/09. Individual.

Vocabulário

Subjugados Que foi dominado; que sofreu algum tipo de subjugação;
Que foi obrigado a fazer (alguma coisa); dominado.
Que foi alvo de conquista; conquistado.

Que foi morto.

Mortandade Grande massacre de pessoas e/ou animais; matança.
Número expressivo de mortes: mortandade de espécies raras.
Quantidade de pessoas que morrem numa determinada época; mortalidade.

Expectoração Ação ou efeito de expectorar.
Eliminação, através da tosse, das secreções produzidas nos brônquios ou nos pulmões.
Aquilo que é eliminado; escarro.

Sanguinolenta Que apresenta ou contém excesso de sangue; sangrento.
Que se tingiu de sangue; que está misturado com sangue.
Que sente contentamento ao ver derramamento de sangue; sanguinário.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

TRABALHO - RENASCIMENTO CULTURAL - 2ºs ANOS - ZENAIDE LOPES

Renascimento Cultural

Assista as vídeo aulas sobre o Renascimento Cultural:






Compare pinturas medievais e pinturas renascentistas:




Essas 2 primeiras pinturas foram produzidas antes do Renascimento Cultural, importante observar a técnica e o tema das pinturas.
As pinturas a seguir, são do período renascentista.

Sandro Botticelli - Vênus e Marte
Rafael Sanzio - A Escola de Atenas

Sandro Botticelli - Primavera

Jan Van Eyck - A Virgem do Chanceler Rolin

Jan Van Eyck - Retrato de Margareta van Eyck


Jan Van Eyck - O Casal Arnolfini



Sandro Botticelli - O Nascimento de Vênus

Albrecht Durer - Auto Retrato


Michelangelo - Davi


Leonardo da Vinci - Mona Lisa (Gioconda)



O espírito do Renascimento

      Francesco Petrarca nasceu em 1304, na cidade de Arezzo, na península Itálica, e foi um dos principais precursores do Renascimento. Admirador da cultura greco-romana, alimentava críticas profundas ao pensamento religioso, predominante em sua época. Foi o primeiro a denominar a Idade Média um período de trevas, envolto pelos dogmas da Igreja Católica. A seguir, transcrevemos o fragmento de uma carta escrita por Petrarca.
      “Pedis-me... que vos empreste, se, como pensais, o comprei, o livro de Homero que estava à venda em Pádua, pois que, dizeis, eu tenho de há muito um outro exemplar, a fim de que o nosso amigo Leão o traduza do grego ao latim para vós e outros nossos compatriotas estudiosos. Vi esse livro, mas não o comprei porque me pareceu inferior ao meu. Poder-se-ia facilmente obtê-lo por intermédio da pessoa que me proporcionou a amizade de Leão... De fato, sempre fui apaixonado por essa tradução em particular e pela literatura grega em geral, e, se a sorte, invejando os meus primeiros passos, me não tivesse arrebatado, pela morte, o meu excelente mestre, talvez eu fosse hoje alguma coisa mais que um grego que ficou no alfabeto”.

Leonardo Da Vinci

"Já fiz planos de pontes muito leves (...). Conheço os meios de destruir seja que castelo for (...). Sei construir bombardas fáceis de deslocar, carros cobertos, inatacáveis e seguros, armados com canhões. Estou (...) em condições de competir com qualquer outro arquiteto, tanto para construir edifícios públicos ou privados como para conduzir água de um lugar para outro. E, em trabalhos de pintura ou na lavra do mármore, do metal ou da argila, farei obras que seguramente suportarão o confronto com as de qualquer outro, seja ele quem for."

[Leonardo da Vinci (retirado de Jean Delumeau, A CIVILIZAÇÃO DO RENASCIMENTO, Lisboa, Editorial Estampa, 1984, vol. 1, p. 154)]

O texto lido é parte da carta com que Leonardo da Vinci, em 1482, pedia emprego na corte de Ludovico, o Mouro. 

 Elogio da Loucura (Erasmo de Roterdã)

Uma das sátiras mais brilhantes da história da literatura foi escrito por Desidério Erasmo, humanista holandês, no curto espaço de sete dias, quando de uma visita a seu amigo Sir Thomas More, na Inglaterra. O próprio título latino da obra é um trocadilho com o nome de More (Moriae). Erasmo, O Voltaire do século XVI, dominou o ambiente intelectual de sua época; de toda sua volumosa obra, porém, apenas o Elogio da Loucura escapou à obscuridade e ao esquecimento. Um notável historiador americano, Preserved Smith, caracterizou o livro como um inteligente sermão, uma sátira honesta, uma brincadeira com um objetivo ético.

Erasmo já demonstra tom satírico ao explicar o motivo que o levou a
escrever o livro:

"Já que a raça humana insiste em ser completamente louca - já que todas as pessoas, do Papa ao mais humilde pároco da aldeia - do mais rico dos homens ao mais miserável dos mendigos - da honrada dama em suas sedas e cetins à mulher vulgar em seu vestido de chita - já que todos se decidiram firmemente a não usar o cérebro que Deus lhes deu, mas insistem em se deixar guiar inteiramente pela ambição, vaidade, ignorância, porque, em nome de uma divindade racional, deveriam as poucas pessoas realmente inteligentes perder seu tempo e esforço, tentando mudar o gênero humano, transformando-o em algo que ele jamais desejou ser? Deixemo-lo viver feliz em suas loucuras. Não o privemos daquilo que, lhe dá maior prazer - seu infinito poder de se tornar ridículo."

No Elogio da Loucura, Erasmo argumenta que são os desejos tolos e irracionais que fazem girar o mundo. O livro todo é escrito em forma de discurso ou declamação, posta em boca da Loucura, a uma audiência imaginária composta de homens de todas as classes e condições. Usando uma beca, mas com um barrete de bobo na cabeça, a Loucura sobe ao púlpito, seguida por seus ajudantes: o Amor-Próprio, o Esquecimento, a Preguiça, o Prazer, a Sensualidade, o Sono Profundo, a Intemperança e a Demência. A Loucura nos conta que é filha de Plutão e de uma encantadora criatura chamada Juventude, e fora criada por duas ninfas sedutoras: Embriaguez, filha de Baco, e Ignorância, filha de Pã. Na violenta sátira que se segue, Erasmo, falando através da loucura, ridiculariza praticamente todas as instituições, costumes, homens e crenças de seu tempo, inclusive o casamento, a guerra, o nacionalismo, os advogados, cientistas, acadêmicos, teólogos, soberanos e papas.

“Aconselho-te, meu filho, a que empregues a tua juventude em tirar bom proveito dos estudos e das virtudes. (...) quero que aprendas as línguas perfeitamente: primeiro a grega (...), em segundo lugar a latina, e depois a hebraica para as santas letras (...), e igualmente a caldaica e arábica (...); que não exista história que não tenhas presente na memória (...). Das artes liberais (...) dei-te algum gosto, quando ainda eras pequeno, na idade de cinco a seis anos; continua o resto (...). Do direito civil quero que saibas de cor os belos textos e que (...) compares com filosofia.
Quanto ao conhecimento das coisas da natureza, quero que a isso te entregues curiosamente, que não haja mar, rio nem fonte que tu não conheças os peixes; todas as aves do ar, todas as árvores e arbustos frutíferos das florestas, todas as ervas da terra, todos os metais escondidos no ventre dos abismos, as pedrarias de todo o Oriente (...), que nada disso te seja desconhecido.
Depois, cuidadosamente, revisita os livros dos médicos gregos, árabes e latinos, sem desprezar os talmudistas e cabalistas, e por frequentes anatomias (...) adquire perfeito conhecimento do (...) homem.”
 (RABELAIS,  François. Gargantua e Pantagruel. 1532.)  


EXERCÍCIOS

Nos trechos, estão alguns dos elementos principais que caracterizam o Renascimento como movimento cultural.
 
a) Identifique três desses elementos.
b) Como se dava o patrocínio dos artistas e técnicos do Renascimento?
c) Considerando as aulas, as imagens e os textos acima, disserte sobre as principais características do Renascimento Cultural nos campos da literatura, ciência e pinturas; analisando as mudanças na mentalidade medieval, da “Cristandade do medo” à mentalidade antropocêntrica. (mínimo de 10 linhas).

Entregar dia 16/06 (terça-feira) sem falta. Manuscrito na folha de almaço. Individual