Francesco Petrarca nasceu em 1304, na
cidade de Arezzo, na península Itálica, e foi um dos principais precursores do
Renascimento. Admirador da cultura greco-romana, alimentava críticas profundas
ao pensamento religioso, predominante em sua época. Foi o primeiro a denominar
a Idade Média um período de trevas, envolto pelos dogmas da Igreja Católica. A
seguir, transcrevemos o fragmento de uma carta escrita por Petrarca.
“Pedis-me...
que vos empreste, se, como pensais, o comprei, o livro de Homero que estava à
venda em Pádua, pois que, dizeis, eu tenho de há muito um outro exemplar, a fim
de que o nosso amigo Leão o traduza do grego ao latim para vós e outros nossos
compatriotas estudiosos. Vi esse livro, mas não o comprei porque me pareceu
inferior ao meu. Poder-se-ia facilmente obtê-lo por intermédio da pessoa que me
proporcionou a amizade de Leão... De fato, sempre fui apaixonado por essa
tradução em particular e pela literatura grega em geral, e, se a sorte,
invejando os meus primeiros passos, me não tivesse arrebatado, pela morte, o
meu excelente mestre, talvez eu fosse hoje alguma coisa mais que um grego que
ficou no alfabeto”.
Leonardo Da Vinci
"Já fiz planos de pontes muito
leves (...). Conheço os meios de destruir seja que castelo for (...). Sei
construir bombardas fáceis de deslocar, carros cobertos, inatacáveis e seguros,
armados com canhões. Estou (...) em condições de competir com qualquer
outro arquiteto, tanto para construir edifícios públicos ou privados como para
conduzir água de um lugar para outro. E, em trabalhos de pintura ou na lavra do
mármore, do metal ou da argila, farei obras que seguramente suportarão o
confronto com as de qualquer outro, seja ele quem for."
[Leonardo da Vinci (retirado de Jean
Delumeau, A CIVILIZAÇÃO DO RENASCIMENTO, Lisboa, Editorial Estampa, 1984, vol.
1, p. 154)]
O
texto lido é parte da carta com que Leonardo da Vinci, em 1482, pedia
emprego na corte de Ludovico, o Mouro.
Elogio da Loucura (Erasmo de Roterdã)
Uma das sátiras mais brilhantes
da história da literatura foi escrito por Desidério Erasmo, humanista holandês,
no curto espaço de sete dias, quando de uma visita a sua amigo Sir Thomas More,
na Inglaterra. O próprio título latino da obra é um trocadilho com o nome de
More (Moriae). Erasmo, O Voltaire do século XVI, dominou o ambiente intelectual
de sua época; de toda sua volumosa obra, porém, apenas o Elogio da Loucura
escapou à obscuridade e ao esquecimento. Um notável historiador americano,
Preserved Smith, caracterizou o livro como um inteligente sermão, uma sátira
honesta, uma brincadeira com um objetivo ético.
Erasmo já demonstra tom satírico ao explicar o motivo que o levou a
escrever o livro:
"Já que a raça humana insiste em ser
completamente louca - já que todas as pessoas, do Papa ao mais humilde pároco
da aldeia - do mais rico dos homens ao mais miserável dos mendigos - da honrada
dama em suas sedas e cetins à mulher vulgar em seu vestido de chita - já que
todos se decidiram firmemente a não usar o cérebro que Deus lhes deu, mas
insistem em se deixar guiar inteiramente pela ambição, vaidade, ignorância,
porque, em nome de uma divindade racional, deveriam as poucas pessoas realmente
inteligentes perder seu tempo e esforço, tentando mudar o gênero humano,
transformando-o em algo que ele jamais desejou ser? Deixemo-lo viver feliz em
suas loucuras. Não o privemos daquilo que, lhe dá maior prazer - seu infinito
poder de se tornar ridículo."
No Elogio da Loucura, Erasmo argumenta que são os desejos tolos e irracionais
que fazem girar o mundo. O livro todo é escrito em forma de discurso ou
declamação, posta em boca da Loucura, a uma audiência imaginária composta de
homens de todas as classes e condições. Usando uma beca, mas com um barrete de
bobo na cabeça, a Loucura sobe ao púlpito, seguida por seus ajudantes: o
Amor-Próprio, o Esquecimento, a Preguiça, o Prazer, a Sensualidade, o Sono
Profundo, a Intemperança e a Demência. A Loucura nos conta que é filha de
Plutão e de uma encantadora criatura chamada Juventude, e fora criada por duas
ninfas sedutoras: Embriaguez, filha de Baco, e Ignorância, filha de Pã. Na
violenta sátira que se segue, Erasmo, falando através da loucura, ridiculariza
praticamente todas as instituições, costumes, homens e crenças de seu tempo,
inclusive o casamento, a guerra, o nacionalismo, os advogados, cientistas,
acadêmicos, teólogos, soberanos e papas.
“Aconselho-te,
meu filho, a que empregues a tua juventude em tirar bom proveito dos estudos e
das virtudes. (...) quero que aprendas as línguas perfeitamente: primeiro a
grega (...), em segundo lugar a latina, e depois a hebraica para as santas
letras (...), e igualmente a caldaica e arábica (...); que não exista história
que não tenhas presente na memória (...). Das artes liberais (...) dei-te algum
gosto, quando ainda eras pequeno, na idade de cinco a seis anos; continua o
resto (...). Do direito civil quero que saibas de cor os belos textos e que
(...) compares com filosofia.
Quanto ao conhecimento das coisas da natureza, quero que a isso te entregues
curiosamente, que não haja mar, rio nem fonte que tu não conheças os peixes;
todas as aves do ar, todas as árvores e arbustos frutíferos das florestas,
todas as ervas da terra, todos os metais escondidos no ventre dos abismos, as
pedrarias de todo o Oriente (...), que nada disso te seja desconhecido.
Depois, cuidadosamente, revisita os livros dos médicos gregos, árabes e
latinos, sem desprezar os talmudistas e cabalistas, e por frequentes anatomias
(...) adquire perfeito conhecimento do (...) homem.” (RABELAIS, François. Gargantua e Pantagruel.
1532.)
Nos
trechos, estão alguns dos elementos principais que caracterizam o Renascimento
como movimento cultural.
a) Identifique três desses elementos.
b) Como se dava o patrocínio dos
artistas e técnicos do Renascimento?
c)
Considerando os textos acima, disserte (mínimo de 15 linhas) sobre as
principais características do Renascimento Cultural nos campos da literatura,
ciência e pinturas; analisando as mudanças na mentalidade medieval, da “Cristandade
do medo” à mentalidade antropocêntrica. (mínimo de 10 linhas)
Caros alunos, colhi informações para reforçar as aulas sobre a PGM.
A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL (1914-1918)
Vários
problemas atingiam as principais nações européias no início do século
XX. O século anterior havia deixado feridas difíceis de curar. Alguns
países estavam extremamente descontentes com a partilha da Ásia e da
África, ocorrida no final do século XIX. Alemanha e Itália, por exemplo,
ficaram com poucas colônias no processo neocolonial. Enquanto isso,
França e Inglaterra podiam explorar diversas colônias, ricas em
matérias-primas e com um grande mercado consumidor. A insatisfação da
Itália e da Alemanha, neste contexto, pode ser considerada uma das
causas da Grande Guerra.
Vale lembrar também
que no início do século XX havia uma forte concorrência comercial entre
os países europeus, principalmente na disputa pelos mercados
consumidores. Esta concorrência gerou vários conflitos de interesses
entre as nações. Ao mesmo tempo, os países estavam empenhados numa
rápida corrida armamentista, já como uma maneira de se protegerem, ou
atacarem, no futuro próximo. Esta corrida bélica gerava um clima de
apreensão e medo entre os países, onde um tentava se armar mais do que o
outro.
Existia também, entre duas nações poderosas da época, uma
rivalidade muito grande. A França havia perdido, no final do século
XIX, a região da Alsácia-Lorena para a Alemanha, durante a Guerra Franco
Prussiana. O revanchismo francês estava no ar, e os franceses esperando
uma oportunidade para retomar a rica região perdida.
O
pan-germanismo e o pan-eslavismo também influenciou e aumentou o estado
de alerta na Europa. Havia uma forte vontade nacionalista dos
germânicos em unir, em apenas uma nação, todos os países de origem
germânica. O mesmo acontecia com os países eslavos.
CAUSAS DA GUERRA
-
A partilha das terras da África e Ásia, na segunda metade do século
XIX, gerou muitos desentendimentos entre as nações européias. Enquanto
Inglaterra e França ficaram com grandes territórios com muitos recursos
para explorar, Alemanha e Itália tiveram que se contentar com poucos
territórios de baixo valor. Este descontentamento ítalo-germânico
permaneceu até o começo do século XX e foi um dos motivos da guerra,
pois estas duas nações queriam mais territórios para explorar e aumentar
seus recursos.
- No final do século XIX e começo do XX, as nações
européias passaram a investir fortemente na fabricação de armamentos. O
aumento das tensões gerava insegurança, fazendo assim que os
investimentos militares aumentassem diante de uma possibilidade de
conflito armado na região;
- A concorrência econômica entre os
países europeus acirrou a disputa por mercados consumidores e
matérias-primas. Muitas vezes, ações economicamente desleais eram
tomadas por determinados países ou empresas (com apoio do governo);
-
A questão dos nacionalismos também esteve presente na Europa
pré-guerra. Além das rivalidades (exemplo: Alemanha e Inglaterra), havia
o pan-germanismo e o pan-eslavismo. No primeiro caso era o ideal alemão
de formar um grande império, unindo os países de origem germânica. Já o
pan-eslavismo era um sentimento forte existente na Rússia e que
envolvia também outros países de origem eslava.
- O presidente dos EUA Woodrow Wilson e outros observadores americanos culpam o militarismo
pela guerra. A tese é que a aristocracia e a elite militar tinham um
poder excessivo no Império Alemão, no Reino de Itália e no Império
Austro-Húngaro, e que a guerra seria a consequência de seus desejos pelo
poder militar e o desprezo pela democracia.
Consequentemente, os
partidários dessa teoria pediram pela abdicação de tais soberanos, o fim
do sistema aristocrático e o fim do militarismo - tudo isso justificou a
entrada americana na guerra depois que a Rússia czarista abandonou a
Tríplice Entente. Wilson esperava que a Liga das Nações e um
desarmamento universal poderia resultar numa paz, admitindo-se algumas
variantes do militarismo como nos sistemas políticos da Inglaterra e
França.
- Lênin era um famoso defensor de que o sistema imperialista vigente no mundo era o responsável pela guerra. Para corroborar as suas ideias ele usou as teorias econômicas de Karl Marx e do economista inglês John A. Hobson, que antes já tinha previsto as consequências do imperialismo econômico na luta interminável por novos mercados, que levaria a um conflito global, em seu livro de 1902 chamado "Imperialismo".
Tal argumento provou-se convincente no início imediato da guerra e
ajudou no crescimento do Marxismo e Comunismo no desenrolar do conflito.
Os panfletos de Lênin de 1917, "Imperialismo: O Último Estágio do Capitalismo", tinham como argumento que os interesses dos bancos em várias das nações capitalistas/imperialistas tinham levado à guerra.
- Os líderes civis das nações europeias estavam na época enfrentando uma onda de fervor nacionalista
que estava se espalhando pela Europa há anos, como memórias de guerras
enfraquecidas e rivalidades entre povos, apoiados por uma mídia sensacionalista e nacionalista.
Os frenéticos esforços diplomáticos para mediar a rixa entre o Império
Austro-Húngaro e a Sérvia foram irrelevantes, já que a opinião pública
naquelas nações pediam pela guerra para defender a chamada honra nacional.
Já a aristocracia exercia também forte influência pela guerra,
acreditando que ela poderia consolidar novamente seu poder doméstico. A
maioria dos beligerantes pressentiam uma rápida vitória com
consequências gloriosas. O entusiasmo patriótico e a euforia presentes
no chamado Espírito de 1914 revelavam um grande otimismo para o período pós-guerra.
O INÍCIO DA GRANDE GUERRA
O
estopim deste conflito foi o assassinato de Francisco Ferdinando,
príncipe do império austro-húngaro, durante sua visita a Saravejo
(Bósnia-Herzegovina). As investigações levaram ao criminoso, um jovem
integrante de um grupo Sérvio chamado mão-negra, contrário a influência
da Áustria-Hungria na região dos Balcãs. O império austro-húngaro não
aceitou as medidas tomadas pela Sérvia com relação ao crime e, no dia 28
de julho de 1914, declarou guerra à Servia.
Francisco Ferdinando
O
assassinato do arquiduque Francisco Fernando chocou toda a Europa e
gerou a simpatia internacional pela posição austríaca. Dois dias após o
assassinato, Áustria-Hungria e Alemanha exigiram da Sérvia a abertura de
uma investigação, mas Slavko Gruic, secretário geral do Ministério do
Exterior sérvio, respondeu que "Nada foi feito até agora e o assunto não diz respeito ao governo sérvio".
Seguiu-se, então, uma tensa negociação entre o encarregado de negócios
austríaco em Belgrado e Gruic. Após a realização de uma investigação
criminal - certificando-se de que a Alemanha iria honrar sua aliança
militar - e de convencer o cético conde Tisza sobre a necessidade de
retaliações contra o governo sérvio, o governo austríaco enviou uma
carta formal ao governo da Sérvia, lembrando seu compromisso de
respeitar a decisão das grandes potências sobre a Bósnia e Herzegovina e
de manter boas relações com a Áustria-Hungria. A carta também exigia
providências para evitar a divulgação de propaganda alusiva à destruição
violenta da Áustria-Hungria, a destituição dos responsáveis que
pertenciam às forças armadas sérvias, a prisão de todos os envolvidos na
trama de assassinato que se encontrassem em território sérvio e o
bloqueio do envio clandestino de armas e explosivos da Sérvia para a
Áustria-Hungria.
Esta carta ficou conhecida como o Ultimato de
Julho, uma vez que o governo austro-húngaro ameaçou chamar de volta a
Viena seu embaixador em Belgrado caso a Sérvia não aceitasse todas as
exigências no prazo de 48 horas. Após receber um telegrama de apoio da
Rússia, a Sérvia mobilizou seu exército e respondeu ao ultimato,
aceitando incondicionalmente os itens n.º 8 - que exigia o fim do
contrabando de armas e a punição dos oficiais de fronteira que haviam
colaborado com os assassinos - e n.º 10 - que exigia um relatório sobre a
execução das medidas impostas conforme elas fossem concluídas. De forma
astuta, a Sérvia aceitou parcialmente ou rejeitou polidamente os
elementos do preâmbulo e os itens 1 a 7 e 9. A Áustria-Hungria reagiu
rompendo relações diplomáticas com a Sérvia.
No dia seguinte,
reservistas sérvios transportados por navios fretados pelo Danúbio
cruzaram a fronteira austro-húngara do rio em Temes-Kubin, sendo
advertidos por soldados com tiros para o ar.O relatório deste incidente
foi inicialmente esboçado e relatado ao imperador Francisco José I como "um conflito considerável".
Diante disso, a Áustria-Hungria declarou guerra à Sérvia em 28 de julho
de 1914 e mobilizou a porção de seu exército que iria enfrentar o (já
mobilizado) exército sérvio. Nos termos do Tratado Secreto de 1892,
Rússia e França também foram obrigados a mobilizar seus exércitos. Em
breve, todas as grandes potências, com exceção da Itália e da
Grã-Bretanha, haviam escolhido seus aliados e partido para o conflito
que passou à história como a Primeira Guerra Mundial.
Gravilo Princip sendo detido após assassinar o arquiduque.
POLÍTICA DE ALIANÇAS
Paz Armada
é o nome usado para descrever o período de guerra da 3 coroas a 1914
que antecedeu à Primeira Guerra Mundial. Foi um momento de intensa
corrida armamentista, quando a Tríplice Aliança (Alemanha, Império
Austro-Húngaro e Itália) ampliava sua capacidade bélica, e a Tríplice
Entente (Rússia, França e Inglaterra) buscava equipar-se. A indústria
bélica aumentou consideravelmente os seus recursos, produzindo novas
tecnologias para a guerra. Além disso, quase todas as nações europeias
adotaram o serviço militar obrigatório, incentivando assim o sentimento
nacionalista. A Paz Armada (1905-1914) foi notória na Primeira Guerra
Mundial. A persistência de tensões entre os Estados os levaram a gastar
grande parte de seu capital para investimentos na indústria do armamento
e da promoção do exército. Isto resultou em um complexo sistema de
alianças em que as nações estavam em conflito, sem estar em guerra.
Armados e paz é um notável oxímoro (termos contraditórios). Os países
europeus começaram a fazer alianças políticas e militares desde o final
do século XIX. Durante o conflito mundial estas alianças permaneceram.
De um lado havia a Tríplice Aliança formada em 1882 por Itália, Império
Austro-Húngaro e Alemanha ( a Itália passou para a outra aliança em
1915). Do outro lado a Tríplice Entente, formada em 1907, com a
participação de França, Rússia e Reino Unido.
No início da guerra
(1914), o Reino de Itália era aliada dos Impérios Centrais na Tríplice
Aliança, mas, considerando que a aliança tinha carácter defensivo (e a
guerra havia sido declarada pela Áustria) e a Itália não havia sido
preventivamente consultada sobre a declaração de guerra, o governo
italiano afirmou não se sentir vinculado à aliança e que, portanto,
permaneceria neutro. Mais tarde, as pressões diplomáticas da
Grã-Bretanha e da França fizeram-na firmar em 26 de abril de 1915 um
pacto secreto contra o aliado austríaco, chamado Pacto de Londres, no
qual a Itália se empenharia a entrar em guerra decorrido um mês em troca
de algumas conquistas territoriais que obtivesse ao fim da guerra: o
Trentino, o Tirol Meridional, Trieste, Gorizia, Ístria (com exceção da
cidade de Fiume), parte da Dalmácia, um protetorado sobre a Albânia,
sobre algumas ilhas do Dodecaneso e alguns territórios do Império Turco,
além de uma expansão das colônias africanas, às custas da Alemanha (a
Itália já possuía na África: a Líbia, a Somália e a Eritreia). O
não-cumprimento das promessas feitas à Itália foi um dos fatores que a
levaram a aliar-se ao Eixo na Segunda Guerra Mundial.
O
Brasil também participou, enviando para os campos de batalha
enfermeiros e medicamentos para ajudar os países da Tríplice Entente.
No Brasil, o confronto foi conhecido popularmente, até a Segunda Guerra Mundial, como a Guerra de 14, em alusão a 1914.
No
dia 5 de abril de 1917, o vapor brasileiro "Paraná", que navegava de
acordo com as exigências feitas a países neutros, foi torpedeado,
supostamente por um submarino alemão. No dia 11 de abril o Brasil rompeu
relações diplomáticas com os países do bloco liderado pela Alemanha. Em
20 de maio, o navio "Tijuca" foi torpedeado perto da costa francesa.
Nos meses seguintes, o governo Brasileiro confiscou 42 navios alemães,
austro-húngaros e turco-otomanos que estavam em portos brasileiros, como
uma indenização de guerra.
No dia 23 de outubro de 1917, o
cargueiro nacional "Macau", um dos navios arrestados, foi torpedeado por
um submarino alemão, perto da costa da Espanha, e seu comandante feito
prisioneiro. Com a pressão popular contra a Alemanha, no dia 26 de
outubro de 1917, o país declarou guerra aos Poderes Centrais.
A
partir deste momento, por um lado, sob a liderança de políticos como Ruy
Barbosa, recrudesceram agitações de caráter nacionalista, com comícios
exigindo a "imperiosa necessidade de se apoiar os Aliados com ações"
para por fim ao conflito. Por outro lado, sindicalistas, anarquistas e
intelectuais como Monteiro Lobato criticavam essa postura e a
possibilidade de grande convocação militar, pois segundo estes, entre
outros efeitos negativos isto desviava a atenção do país em relação a
seus problemas internos.
Assim, devido a várias razões, de
conflitos internos à falta de uma estrutura militar adequada, a
participação militar do Brasil no conflito foi muito pequena;
resumindo-se no envio ao front ocidental em 1918 de um grupo de
aviadores do Exército e da Marinha que foram integrados à Força Aérea
Real Britânica e de um corpo médico-militar, composto por oficiais e
sargentos do exército que foram integrados ao exército francês, tendo
seus membros tanto prestado serviços na retaguarda como participado de
combates no front. A Marinha também enviou uma divisão naval com a
incumbência de patrulhar a costa noroeste da África a partir de Dakar e o
Mediterrâneo desde o estreito de Gibraltar, evitando a ação de
submarinos inimigos.
A CRISE DE JULHO E AS DECLARAÇÕES DE GUERRA
Após
o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando em 28 de Junho, o
Império Austro-Húngaro esperou três semanas antes de decidir tomar um
curso de ação. Essa espera foi devida ao fato de que grande parte do
efetivo militar estava na ajuda a colheita, o que impossibilitava a ação
militar naquele período. Em 23 de Julho, graças ao apoio incondicional
alemão (carta branca) ao Império Austro-Húngaro se a guerra
eclodisse, o Ultimato de julho foi mandado à Sérvia, e que continha
várias requisições, entre elas a que agentes austríacos fariam parte das
investigações, e que a Sérvia seria a culpada pelo atentado. O governo
sérvio aceitou todos os termos do ultimato, com exceção da participação
de agentes austríacos, o que na opinião sérvia constituía uma violação
de sua soberania.
Por causa desse termo, rejeitado em resposta
sérvia em 26 de Julho, o Império Austro-Húngaro cortou todas as relações
diplomáticas com o país e declarou guerra ao mesmo em 28 de Julho,
começando o bombardeio a Belgrado (capital sérvia) em 29 de Julho. No
dia seguinte, o Império Russo, que sempre tinha sido aliado da Sérvia,
deu a ordem de locomoção a suas tropas. O Império Alemão, que tinha
garantido apoio ao Império Austro-Húngaro no caso de uma eventual guerra
mandaram um ultimato ao governo do Império Russo para parar a
mobilização de tropas dentro de 12 horas, no dia 31. No primeiro dia de
Agosto o ultimato tinha expirado sem qualquer reação russa. A Alemanha
então declarou-lhe guerra. Em 2 de Agosto a Alemanha ocupou Luxemburgo,
como o passo inicial da invasão à Bélgica e do Plano Schlieffen
(estratégia de defesa alemã que previa a invasão da França, Inglaterra e
Rússia). A Alemanha tinha enviado outro ultimato, desta vez à Bélgica,
requisitando a livre passagem do exército alemão rumo à França. Como tal
pedido foi recusado, foi declarada guerra a Bélgica.
Em 3 de
Agosto a Alemanha declarou guerra à França, e no dia seguinte invadiu a
Bélgica. Tal ato, violando a soberania belga - que Grã-Bretanha, França e
a própria Alemanha estavam comprometidos a garantir fez com que o
Império Britânico saísse da sua posição neutra e declarasse guerra à
Alemanha em 4 de Agosto.
Desenvolvimento
Algumas das primeiras hostilidades de guerra
ocorreram no continente africano e no oceano Pacífico, nas colônias e
territórios das nações europeias. Em Agosto de 1914, um combinado da
França e do Império Britânico invadiu o protetorado alemão da Togoland,
no Togo. Pouco depois, em 10 de Agosto, as forças alemãs baseadas na
Namíbia atacaram a África do Sul, que pertencia ao Império Britânico. Em
30 de Agosto a Nova Zelândia invadiu a Samoa, da Alemanha; em 11 de
Setembro a Força Naval e Expedicionária Australiana desembarcou na ilha
de Neu Pommern (mais tarde renomeada Nova Bretanha), que fazia parte da chamada Nova Guiné Alemã.
O Japão invadiu as colônias micronésias e o porto alemão de
abastecimento de carvão de Qingdao na península chinesa de Shandong. Com
isso, em poucos meses, a Tríplice Entente tinha dominado todos os
territórios alemães no Pacífico. Batalhas esporádicas, porém, ainda
ocorriam na África.
Na Europa, o Império Alemão e o Império
Austro-Húngaro sofriam de uma mútua falta de comunicação e
desconhecimento dos planos de cada exército. A Alemanha tinha garantido o
apoio à invasão austro-húngara à Sérvia, mas a interpretação prática
para cada um dos lados tinha sido diferente. Os líderes austro-Hhúngaros
acreditavam que a Alemanha daria cobertura ao flanco setentrional
contra a Rússia. A Alemanha, porém, tinha planejado que o Império
Austro-Húngaro focasse a maioria de suas tropas na luta contra a Rússia
enquanto combatia a França na Frente Ocidental. Tal confusão forçou o
exército Austro-Húngaro a dividir suas tropas. Mais da metade das tropas
foi combater os russos na fronteira, enquanto um pequeno grupo foi
deslocado para invadir e conquistar a Sérvia.
Soldados alemães
Os "resultados alcançados": morte e sofrimento nas trincheiras.
A batalha na Sérvia
O
exército sérvio submeteu-se a uma estratégia defensiva para conter os
invasores austro-húngaros, o que culminou na Batalha de Cer. Os sérvios
ocuparam posições defensivas no lado sul do rio Drina. Nas duas
primeiras semanas os ataques austro-húngaros foram repelidos causando
grandes perdas ao exército das Potências Centrais. Essa foi a primeira
grande vitória da Tríplice Entente na guerra. As expectativas
austro-húngaras de uma vitória fácil e rápida não foram realizadas e
como resultado o Império Austro-Húngaro foi obrigado a manter uma grande
força na fronteira sérvia, enfraquecendo as tropas que batalhavam
contra a Rússia na Frente Oriental.
Exército alemão na Bélgica e França
Após
invadir o território belga, o exército alemão logo encontrou
resistência na fortificada cidade de Liège. Apesar do exército ter
continuado a rápida marcha rumo à França, a invasão germânica tinha
provocado a decisão britânica de intervir em ajuda a Tríplice Entente.
Como signatário do Tratado de Londres, o Império Britânico estava
comprometido a preservar a soberania belga. Para a Grã-Bretanha os
portos de Antuérpia e Oostende eram importantes demais para cair nas
mãos de uma potência continental hostil ao país.Para tanto, enviou um exército para a Bélgica, atrasando o avanço alemão.
Inicialmente os mesmos tiveram uma grande vitória na Batalha das Fronteiras
(14 de Agosto a 24 de Agosto de 1914). A Rússia, porém, atacou a
Prússia Oriental, o que obrigou o deslocamento das tropas alemãs que
estavam planejadas para ir a Frente Ocidental. A Alemanha derrotou a
Rússia em uma série de confrontos chamados da Segunda Batalha de Tannenberg
(17 de Agosto a 2 de Setembro de 1914). O deslocamento imprevisto para
combater os russos, porém, acabou permitindo uma contra-ofensiva em
conjunto das forças francesas e inglesas, que conseguiram parar os
alemães em seu caminho para Paris, na Primeira Batalha do Marne
(Setembro de 1914), forçando o exército alemão a lutar em duas frentes. O
mesmo se postou numa posição defensiva dentro da França e conseguiu
incapacitar permanentemente 230.000 franceses e britânicos.
As
batalhas desenvolveram-se principalmente em trincheiras. Os soldados
ficavam, muitas vezes, centenas de dias entrincheirados, lutando pela
conquista de pequenos pedaços de território. A fome e as doenças também
eram os inimigos destes guerreiros. Nos combates também houve a
utilização de novas tecnologias bélicas como, por exemplo, tanques de
guerra e aviões. Enquanto os homens lutavam nas trincheiras, as mulheres
trabalhavam nas indústrias bélicas como empregadas.
Os avanços na
tecnologia militar significaram na prática um poder de fogo defensivo
mais poderoso que as capacidades ofensivas, tornando a guerra
extremamente mortífera. O arame farpado era um constante obstáculo para
os avanços da infantaria; a artilharia, muito mais letal que no século
XIX, armada com poderosas metralhadoras. Os alemães começaram a usar gás
tóxico em 1915, e logo depois, ambos os lados usavam da mesma
estratégia. Nenhum dos lados ganhou a guerra pelo uso de tal artifício,
mas eles tornaram a vida nas trincheiras ainda mais miserável
tornando-se um dos mais temidos e lembrados horrores de guerra.
Numa
nota curiosa, temos que no início da guerra, chegando a primeira época
natalícia, se encontram relatos de os soldados de ambos os lados
cessarem as hostilidades e mesmo saírem das trincheiras e
cumprimentarem-se (trégua de Natal). Isto ocorreu sem o consentimento do
comando, no entanto, foi um evento único. Não se repetiu posteriormente
por diversas razões: o número demasiado elevado de baixas aumentou os
sentimentos de ódio dos soldados e o comando, dados os acontecimentos do
primeiro ano, tentou usar esta altura para fazer propaganda, o que
levou os soldados a desconfiar ainda mais uns dos outros.
A alimentação era sobretudo à base de carne, vegetais enlatados e biscoitos, sendo os alimentos frescos uma raridade.
Fim do conflito
Em 1917 ocorreu um fato histórico de extrema
importância : a entrada dos Estados Unidos no conflito. Os EUA entraram
ao lado da Tríplice Entente, pois havia acordos comerciais a defender,
principalmente com Inglaterra e França. Este fato marcou a vitória da
Entente, forçando os países da Aliança a assinarem a rendição. Os
derrotados tiveram ainda que assinar o Tratado de Versalhes que impunha a
estes países fortes restrições e punições. A Alemanha teve seu exército
reduzido, sua indústria bélica controlada, perdeu a região do corredor
polonês, teve que devolver à França a região da Alsácia Lorena, além de
ter que pagar os prejuízos da guerra dos países vencedores. O Tratado
de Versalhes teve repercussões na Alemanha, influenciando o início da
Segunda Guerra Mundial.
A guerra gerou aproximadamente 10 milhões
de mortos, o triplo de feridos, arrasou campos agrícolas, destruiu
indústrias, além de gerar grandes prejuízos econômicos.
Três
impérios europeus foram destruídos e consequentemente desmembrados:
Alemão, o Austro-Húngaro e o Russo. Nos Bálcãs e no Médio Oriente o
mesmo ocorreu com o Império Turco-Otomano. Dinastias imperiais europeias
como as das famílias Habsburgos, Romanov e Hohenzollern, que vinham
dominando politicamente a Europa e cujo poder tinha raízes nas Cruzadas,
também caíram durante os quatro anos de guerra.
O fracasso da
Rússia na guerra acabou contribuindo para a queda do czar e o fim do
império, servindo de catalisador para a Revolução Russa que inspirou
outras em países tão diferentes como China e Cuba, e que serviu também,
após a Segunda Guerra Mundial, como base para a Guerra Fria. No Oriente
Médio, o Império Turco-Otomano foi substituído pela República da Turquia
e muitos territórios por toda a região acabaram em mãos inglesas e
francesas.
Na Europa Central os novos estados Tchecoslováquia,
Finlândia, Letônia, Lituânia, Estônia e Iugoslávia "nasceram" depois da
guerra e os estados da Áustria, Hungria e Polônia foram redefinidos.
Pouco tempo depois da guerra, em 1923, os Fascistas tomaram o poder no
Reino de Itália. A derrota da Alemanha na guerra e o fracasso em
resolver assuntos pendentes no período pós-guerra, alguns dos quais
haviam sido causas da Primeira Guerra, acabaram por criar condições para
a ascensão do Nazismo quatorze anos depois e para a Segunda Guerra
Mundial em 1939, vinte anos depois.
OS 14 PONTOS DE WILSON
"Os 14 pontos foram apresentados em 8 de janeiro de 1918 ao Congresso dos EUA, que o rejeitou, sob a forte influência do isolacionismo
na política externa americana. A rejeição deixou os EUA de fora da Liga
--que anos mais tarde falhou em evitar a Segunda Guerra Mundial
(1939-1945).
Depois das
complexas negociações entre as nações vencedoras e aliadas, que
envolveram discussões sobre a retomada de terras dominadas e conflitos
anteriores à Primeira Guerra, uma versão reformulada do tratado de 14
pontos foi aprovada.
Um
mês depois, em 28 de junho de 1919, em Paris, o estatuto da Liga das
Nações foi assinado como parte do Tratado de Versalhes, que definiu as
cláusulas do fim da guerra. A primeira assembléia geral da Liga foi
realizada em 15 de novembro de 1920, na neutra Genebra.
Conheça os 14 pontos da proposta de paz de Woodrow Wilson:
1)
Inaugurar pactos de paz, depois dos quais não deverá haver acordos
diplomáticos secretos, mas sim diplomacia franca e sob os olhos
públicos;
2)
Liberdade absoluta de navegação nos mares e águas fora do território
nacional, tanto na paz quanto na guerra, com exceção dos mares fechados
completamente ou em parte por ação internacional em cumprimento de
pactos internacionais;
3)
Abolição, na medida do possível, de todas as barreiras econômicas entre
os países e o estabelecimento de uma igualdade das condições de
comércio entre todas as nações que consentem com a paz e com a
associação multilateral;
4) Garantias adequadas da redução dos armamentos nacionais até o menor nível necessário para garantir a segurança nacional;
5)
Um reajuste livre, aberto e absolutamente imparcial da política
colonialista, baseado na observação estrita do princípio de que a
soberania dos interesses das populações colonizadas deve ter o mesmo
peso dos pedidos equiparáveis das nações colonizadoras;
6)
Retirada dos Exércitos do território russo e solução de todas as
questões envolvendo a Rússia, visando assegurar melhor cooperação com
outras nações do mundo. O tratamento dispensado à Rússia por suas nações
irmãs será o teste de sua boa vontade, da compreensão de suas
necessidades como distintas de seus próprios interesses e de sua
simpatia inteligente e altruísta;
7)
Bélgica, o mundo inteiro concordará, precisa ser restaurada, sem
qualquer tentativa de limitar sua soberania a qual ela tem direito assim
como as outras nações livres;
8)
Todo território francês deve ser libertado e as partes invadidas
restauradas. O mal feito à França pela Prússia, em 1871, na questão da
Alsácia e Lorena, deve ser desfeito para que a paz possa ser garantida
mais uma vez, no interesse de todos;
9) Reajuste das fronteiras italianas, respeitando linhas reconhecidas de nacionalidade;
10)
Reconhecimento do direito ao desenvolvimento autônomo dos povos da
Áustria-Hungria, cujo lugar entre as nações queremos ver assegurado e
salvaguardado;
11)
Retirada das tropas estrangeiras da Romênia, da Sérvia e de Montenegro,
restauração dos territórios invadidos e o direito de acesso ao mar para
a Sérvia;
12)
Reconhecimento da autonomia da parte da Turquia dentro do Império
Otomano e a abertura permanente do estreito de Dardanelos como passagem
livre aos navios e ao comércio de todas as nações, sob garantias
internacionais;
13)
Independência da Polônia, incluindo os territórios habitados por
população polonesa, que devem ter acesso seguro e livre ao mar;
14)
Criação de uma associação geral sob pactos específicos para o propósito
de fornecer garantias mútuas de independência política e integridade
territorial dos grandes e pequenos Estados.
TRATADO DE VERSALHES 1919 Assinado
em 28 de junho de 1919, o Tratado de Versalhes foi um acordo de paz
assinado pelos países europeus, após o final da Primeira Guerra Mundial
(1914-1918). Neste Tratado, a Alemanha assumiu a responsabilidade pelo
conflito mundial, comprometendo-se a cumprir uma série de exigências
políticas, econômicas e militares. Estas exigências foram impostas à
Alemanha pelas nações vencedoras da Primeira Guerra, principalmente
Inglaterra e França. Em 10 de janeiro de 1920, a recém criada Liga das
Nações (futura ONU) ratificou o Tratado de Versalhes.
Algumas exigências impostas à Alemanha pelo Tratado de Versalhes: - reconhecimento da independência da Áustria; - devolução dos territórios da Alsácia-Lorena à França; - devolução à Polônia das províncias de Posen e Prússia Ocidental; - as cidades alemãs de Malmedy e Eupen passariam para o controle da Bélgica; - a província do Sarre passaria para o controle da Liga das Nações por 15 anos; - a região da Sonderjutlândia deveria ser devolvida à Dinamarca -
pagamento aos países vencedores, principalmente França e Inglaterra,
uma indenização pelos prejuízos causados durante a guerra. Este valor
foi estabelecido em 269 bilhões de marcos. - proibição de funcionamento da aeronáutica alemã (Luftwaffe) - a Alemanha deveria ter seu exército reduzido para, no máximo, cem mil soldados; - proibição da fabricação de tanques e armamentos pesados; - redução da marinha alemã para 15 mil marinheiros, seis navios de guerra e seis cruzadores; Consequências: As
fortes imposições do Tratado de Versalhes à Alemanha, fez nascer neste
país um sentimento de revanchismo e revolta entre a população. A
indenização absurda enterrou de vez a economia alemã, já abalada pela
guerra. As décadas de 1920 e 1930 foram marcadas por forte crise moral e
econômica na Alemanha (inflação, desemprego, desvalorização do marco).
Terreno fértil para o surgimento e crescimento do nazismo que levaria a
Alemanha para um outro conflito armado, a Segunda Guerra Mundial.
“Quantas vezes desde há dois anos não ouvimos repetir: ‘Antes a guerra
que esta perpétua espera!’ Neste voto, não há qualquer amargura, mas uma
secreta esperança.
A guerra! De repente a palavra ganhou prestígio. É uma palavra jovem,
toda nova, embonecada dessa sedução que faz reviver o coração dos homens. Os
jovens dão-lhe toda a beleza de que estão plenos e de que a vida cotidiana os
priva. A guerra é sobretudo para seus olhos a ocasião das mais belas virtudes
humanas. Lede esta passagem de uma carta que nos escrevia uma jovem estudante
de retórica de origem alsaciana.
‘A existência que aqui temos não nos satisfaz completamente, porque
embora possuamos todos os elementos de uma bela vida, não podemos organizá-los
numa ação prática, imediata, que nos dominaria o corpo e a alma e nos lançaria
fora de nós mesmos. Esta ação, há um único acontecimento que a pode permitir: a
guerra. É por isso que a desejamos’.”
(BONNARD, ABEL. Jornal Le Figaro, 1912. In: JAURÉS, Jean. As causas da
Primeira Guerra Mundial. Lisboa, Estampa, 1974. P. 63-4)
O texto acima fazia parte de uma
pesquisa sob o título “Os jovens de hoje” e tinha por finalidade mostrar aos
franceses que os jovens desejavam a guerra. O jornal Le Figaro orientava seu inquérito criando um clima favorável ao
conflito que se aproximava.
Em 1914, a população mundial era de
aproximadamente 1 bilhão e 800 milhões de habitantes. Cerca de um quarto desse
número vivia na Europa e mais da metade na Ásia. Assim, o centro de gravidade
mundial estava na Eurásia, palco do que seria a Primeira Guerra Mundial.
(MELLO, Leonel I. A. e COSTA, Luis C. A. História Moderna e
Contemporânea, Ed. Scipione, 1993. P. 211)
Relato
de um soldado
“O
campo de batalha é terrível. Há um cheiro azedo, pesado e penetrante de
cadáveres. Homens que foram mortos no último outubro estão meio afundados no
pântano e nos campos de nabo em crescimento. As pernas de um soldado inglês,
ainda envoltas em polainas, irrompem de uma trincheira, o corpo está empilhado
com outros; um soldado apoia seu rifle sobre eles. Um pequeno veio de água
corre através da trincheira, e todo mundo usa a água para beber e se lavar; é a
única água disponível. Ninguém se importa com o inglês pálido que apodrece
alguns passos adiante. No cemitério de Langermark, os restos de uma matança
foram empilhados e os mortos ficaram acima do nível do chão. As bombas alemãs,
caindo sobre o cemitério, provocaram uma horrível ressurreição. Num determinado
momento, eu vi 22 cavalos mortos, ainda com os arreios. Gado e porcos jaziam em
cima, meio apodrecidos. Avenidas rasgadas no solo, inúmeras crateras nas
estradas e nos campos.
(Extraído de: Rudolf Binding. Um fatalista na guerra. Em: Adhemar M.
Marques, Flávio Berutti e Ricardo Faria. História contemporânea através de
textos. 3 ed. São Paulo, Contexto, 1994. P. 119)
Além de
provocar incalculável destruição material, a Primeira Guerra Mundial deixou um
saldo de 9 milhões de mortos na Europa.
(FIGUEIRA, Divalte Garcia. História: Volume Único. São Paulo: Ática,
2005)
Trecho do filme "A Batalha de Passchendaele". Assistam!
Compare os 2 textos, as
explicações em sala de aula e responda as questões:
1-
Explique como se caracterizava a opinião pública europeia durante a Paz Armada,
e quais foram os mecanismos utilizados pelos governos das potências europeias
para divulgar tais ideias.
2-
Relacione os movimentos nacionalistas europeus com o crescimento da indústria
bélica no período da Paz Armada.
3- Analisando
o segundo texto, por que podemos dizer que durante a Primeira Guerra Mundial “a
Europa foi da euforia à agonia”? Justifique sua resposta.
4- Como
era o cotidiano das trincheiras durante a Primeira Guerra Mundial?
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sem falta. Individual
Para descontrair, a aula do Prof. Carlão sobre a participação do Brasil na PGM